
Este artigo foi inspirado no post do Jorge Santos em seu website (Processamento Digital) que mostra de forma bastante didática como realizar o processo que intitula este artigo.
Mas antes de ir à prática, vale uma breve leitura teórica sobre o assunto.
O TIF
O TIF ou TIFF, como é comumente utilizada na escrita, foi criado pela empresa Aldus que fundiu-se com a Adobe em meados da década de 90 e que serviu para auxiliar numa melhor qualidade nos processos de impressão PostScript por possuir excelente definição de cores. Dentre todas as áreas que utilizam este formato, sem dúvida as geociências são uma das que mais se apropriaram deste legado.
TIFF é um acrônimo para o termo em inglês Tagged Image File Format, que numa tradução livre para o português seria algo como Formato de Arquivo de Imagen Etiquetada.
Atualmente os arquivos limitam-se a um volume de 4 GB devido à restrição do próprio formato ser de 32 bits (o formato foi criado em 1986 como 16 bits e sofreu a última atualização em 1992 passando para a plataforma de 32 bits). Com a evolução da informática, e consequente poder de processamento dos computadores, já existem propostas para elevar essa plataforma para 64 bits, e, portanto, ultrapassar o volume de 4 GB. Esse arquivo já ganhou o nome de BigTIFF.
Existem vários critérios que poderiam ser citados aqui mas considero apenas três os fatores primordiais que torna o formato favorito para uso nas geotecnologias e que são os mais usados no cotidiano. São eles:
1. A possibilidade de armazenar qualquer tipo de informação junto com a imagem, em especial, a componente geoespacial, ou seja, coordenadas geográficas a ele atribuídas.
2. É possível também agrupar várias imagens num mesmo arquivo TIFF. Isto é muito comum em composições de imagens de satélite.
3. Permite armazenar até 16 bits por pixel, ou seja, 65.536 tons de cinza para cada imagem do arquivo TIFF. Isto é importante no sensoriamento remoto para quem lida com alta resolução espectral.
O GEOTIFF
Para os mais desavisados, GeoTIFF não é um formato mas sim um padrão de metadados de domínio público, ou seja, tem seu uso irrestrito e livre. Ele foi criado para armazenar várias informações específicas de ordem espacial.
INSTALANDO O PROGRAMA
No Ubuntu o programa responsável pela extração das informações geoespaciais de arquivos TIFF é o GeoTIFF. Na verdade ele é parte da biblioteca LibGeoTIFF que é um padrão da OSGEO para lidar com esse tipo de arquivo.
Atualmente se encontra na versão 1.3 e está disponível para as plataformas 32 e 64 bits.
Existem 3 métodos simples de instalação do programa. Escolha seu método.
Método A) Clique Aqui e faça o download do executável, escolhendo a sua versão do Ubuntu ou Debian e plataforma 32 ou 64 bits.

Para instalá-lo, dê permissão para que o arquivo seja executado como um programa e em seguida dê um duplo clique e aguarde a central de programas do Ubuntu completar a instalação.
Método B) Instale via Central de Programas do Ubuntu.
Para isto, digite geotiff- no campo de busca, selecione-o e clique em Instalar. Aguarde o processo finalizar.

Método C) Via terminal (linha de comando). Particularmente prefiro este pois é o método mais rápido e prático de instalar o programa. Além do mais, como o programa não possui uma interface gráfica, o procedimento de extração será mesmo via terminal. Assim, já se estará habituado a trabalhar com linhas de comando.
Abra o terminal digitando o atalho Ctrl+Alt+T e digite o comando abaixo:
sudo su

Em seguida lhe será solicitada a senha de superusuário. Digite-a e tecle Enter.
Depois, digite o seguinte comando:
apt-get install geotiff-bin

Logo após, responda a pergunta, digitando s e teclando Enter.

Pronto. O programa estará devidamente instalado no seu sistema.
EXTRAINDO AS INFORMAÇÕES GEOESPACIAIS
Primeiramente, no terminal, você terá de ir até o diretório onde se encontra o arquivo TIFF e digitar o seguinte comando:
listgeo - tfw NOME_DO_ARQUIVO.tif

Na prática, utilizei a banda 4 de uma imagem Landsat 5.
Será criado então um arquivo com o mesmo nome do seu raster com a extensão TFW.

Ao abrir o TFW num editor de textos é possível enxergar o conteúdo do arquivo.

O TFW
O arquivo TFW é um arquivo World (não é word), em modo de texto simples desenvolvido pela Esri que é utilizado por sistemas de informações geográficas para georreferenciar imagens raster. Ele descreve a localização, a escala e a rotação do raster num esquema de seis linhas contendo números decimais que são explicados o que são logo abaixo.
Claro que esses dados variam de imagem para imagem. O exemplo abaixo tomou como base a imagem de satélite utilizada para ilustrar este post.
30.0000000000 (Tamanho do pixel na direção X) = Escala
0.0000000000 (Termo de enviesamento para a linha) = Rotação
0.0000000000 (Termo de enviesamento para a coluna) = Rotação
-30.0000000000 (Tamanho do pixel na direção Y) = Escala
68405.0000000000 (Coordenada X do centro do pixel superior esquerdo em unidades de mapa) = Localização
8979775.0000000000 (CoordenadaY do centro do pixel superior esquerdo em unidades de mapa) = Localização.
Cabe ressaltar que os arquivos TFW não especificam o sistema de coordenadas da imagem; esta informação é armazenada em outro lugar no arquivo de imagem ou muitas vezes é acompanhado por um outro arquivo de texto, como por exemplo, um PRJ.
OUTROS COMANDOS
Para ver o conteúdo do metadado do raster em que se está trabalhando, incluindo as coordenadas geográficas extremas e central, digite o comando:
listgeo -d NOME_DO_ARQUIVO.tif

Para saber qual o Sistema de Referência (SRC) adotado na imagem e sua respectiva sintaxe, digite no terminal:
listgeo -proj4 NOME_DO_ARQUIVO.tif

Para acessar as informações das etiquetas (tags) e chaves (keys), digite:
listgeo -no_norm NOME_DO_ARQUIVO.tif

Bem pessoal, pelo que foi apresentado, pode-se perceber que o programa é bastante competente, fornecendo informações importantes no planejamento de projetos que fazem uso de geotecnologias.
Espero que o conteúdo seja útil.
Até a próxima.
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